Autoagressão x amor próprio

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Por Manoella Oliveira

Imagem: Vanessa Siqueira + Taylor Allen

Autoagressão é uma palavra forte. À primeira vista, ninguém reconhece que faz. Parei para pensar sobre o assunto quando eu e Thays Prado entrevistamos a terapeuta Rizza D’Ávila, o primeiro “ping pong” publicado na Tato. Ela diz:

O caos tem uma explicação, tem uma harmonia. O que gera tanta violência?  O que significa violência na vida? Você estar com fome e não parar de trabalhar para comer, não buscar um agasalho quando está com frio, suportar as coisas como a gente faz. São pequenas violências que alimentam as grandes violências que estão lá fora. A energia vai continuar a mesma até aquela figura ver a violência que existe dentro dela. E isso pode demorar séculos, como tem demorado. À medida que eu foco minha própria violência, estou contribuindo para a paz, que se inicia no micro para se reverberar no macro.”

Para cometer “autoagressão” não precisamos de nada muito sofisticado nem de dor física. Estamos falando das pequenas violências que fazem parte da rotina de muita gente: trabalhar morrendo de dor de cabeça, dormir pouco, ficar com preguiça de ir ao banheiro (viu, mulherada?!), se prender a um relacionamento desgastante e cheio de problemas, em resumo: é passar por cima de você para atender uma empresa, um amigo, um familiar ou qualquer entidade externa – e, pior, normalmente, por um motivo besta.

Sempre achei que autoagressão é inversamente proporcional a amor próprio e, sobre este último, a terapeuta diz o seguinte:

“Muitos de nós ainda morrem do coração, que é o órgão do amor próprio. Claro que o outro é importante, o outro é 50% do nosso caminho, mas se a gente não aprender a fazer os 50% que são nossos, nosso coração vai fazer um enfarto e nos tirar a possibilidade da experimentação da encarnação. A experiência encarnatória é profunda e não há a necessidade de sofrimento, de um modo geral, isso é só um condicionamento. A ideia de se viver com prazer é o que nos liberta. É muito bom estar vivo. Minha missão, pelo que consigo entender, é divulgar essa experiência de ampliação e de contato comigo mesma para que eu possa ter contato também com o outro. É aprender a me cuidar, a ficar comigo, a gostar de mim.”

Ainda que fique claro que amor próprio e autoagressão não andam juntos, não é tão simples definir esses conceitos. O que vale, no fim das contas, é o que faz sentido para você, o que faz com que seu coração, sua alma, ou qualquer outro nome que você dê, estejam harmônicos. Por exemplo: você compra um chocolate daqueles carregados de caramelo e amendoim. A primeira coisa que você vai pensar é que aquilo vai te dar prazer, que é o que você quer fazer então tem que concretizar.

Por outro lado, vai vir um chato (porque tem sempre um chato para dar palpite nas nossas escolhas sem que a gente peça pela opinião de ninguém) dizer que aquilo tem muito conservante, muita gordura, engorda, faz mal para a pele. Neste caso, a autoagressão é comer uma coisa que te faz mal ou é não concretizar algo que você quer e pode fazer? Tchanam! A resposta só depende de quem comprou o doce e, na minha opinião, não existe certo nem errado. A pessoa que comer ou não o chocolate vai sentir se a decisão foi a melhor para ela ao deixar a guloseima na prateleira ou comê-la. O coração avisa. Vai vir um estalinho de satisfação ou de peso. A questão é fazer o seu movimento, sem deixar com que coisas externas falem mais alto, sem entrar na loucura, na ideia de urgência ou na hipocrisia do outro. E isso é um exercício diário, se não for, não funciona.

Você realmente não pode se atrasar 10 minutos para ir até a farmácia comprar um comprimido para dor de cabeça? Seu trabalho é tão urgente assim que você não consiga parar para comer? O banheiro é tão distante que você precise evitá-lo até o último minuto? Seu salário é tão bom que justifique se submeter a algo que você nem gosta? Seu parceiro ou parceira, amigos e familiares são mesmo de porcelana a ponto de você ter de dizer “sim” para tudo que eles querem?

Saiba mais e reflita, lendo a íntegra da entrevista.

Fonte:

http://www.maistato.com.br/2013/02/07/autoagressao-x-amor-proprio/

5 comentários Adicione o seu

  1. Carol disse:

    Amazing post…thanks for posting.

  2. Claudeir disse:

    Maravilhoso!

  3. Cleber disse:

    Nossa, muito o que refletir.

  4. Clayane disse:

    Muito bom!

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